Wednesday, September 29, 2010
A Decadência Humana
De certa forma, pode-se dizer que estamos todos caindo. Alguns já alcançaram o fundamento e perderam suas vidas. Outros, acabaram de começar a cair. Mas nem sempre estivemos caindo.
Em certa época, no começo, tínhamos a capacidade de voar. Não com asas e não pelo universo. Mas tínhamos tudo à mão e de tudo podíamos provar e vivenciar em plenitude. Tínhamos razão para correr, nos alegrarmos, nos multiplicarmos e vivermos em comunhão com o Criador.
Agora, não mais. Há um certo tempo, perdemos a capacidade de voar, e todos ao mesmo tempo. Veio então a Queda. Desde então, a gravidade que não nos afetava, nos pressiona e o fundamento que mal conhecíamos se aproxima inevitavelmente. Estamos lançados à propria sorte, por nós mesmos. E agora, se encontramos o fundamento, realmente deixamos de existir.
Além de imortais, nos tornamos cegos. Enxergamos somente a nós mesmos e o pouco que nos rodeia. Mas o que se segue abaixo de nós ou mesmo os outros que à uma distância também caem, mal enxergamos. No entanto, ao longo de nossa história, algo como lentes passou por olhos de um ou outro. Foi como se o Criador desse a chance de um olhar mais a frente. Ou no caso, mais abaixo. Sendo todos míopes, uma lente especial e específica é a única forma de enxergar à distância. E exatamente isso que Ele deu a alguns, por alguns segundos: a capacidade de enxergar à distância. E os chamou profetas.
Estes puderam vislumbrar com esta visão que obtiveram, o que haveria de vir. Trombadas fatais entre humanos caindo, outros rodando para uma posição que os leva mais rapidamente ao fundamento, e principalmente o próprio fundamento, parada final de todos que caem. Não só isso, porém, foi-lhes revelado, senão também uma mão, que parecia colher os frutos que caem, mas que mesmo chocando-se com o fundamento não tornaram-se imprestáveis. Alguns, logo antes de chegar ao solo, até eram lançados de volta alguns metros ao alto, para que no caminho para cima compartilhassem sua experiência e no caminho para baixo, de novo, pudessem mais frutos ser colhidos com ele, que fossem protegidos da fatalidade no choque.
Os profetas, atemorizados pelo vislumbre fantástico, se puseram a voltar-se para outros humanos caindo, mesmo que isso os pusesse em posições que facilitassem a abreviação do choque com o fundamento, para compartilhar-lhes as boas notícias de que havia um jeito de não voltar ser consumido definitivamente pelo choque. E muitos, tomados pela desesperança, não quiseram nem dar ouvidos a essa uma esperança que surgia. Alguns atordoados, se punham sobre os profetas, para que o peso aumentasse e o profeta chegasse ao seu fim mais rapidamente. Logicamente, o que ocorria com estes era que eles também eram abreviados.
E a humanidade continuou decaindo, alguns recorreram à ciência para tentar criar asas, para que o choque final fosse adiado em alguns segundos, e sucederam. Por alguns segundos mal aproveitados. Alguns se juntaram em casais e juraram eterna fidelidade, enquanto não atingissem o solo. Expertos foram estes, pois pelo visto seguravam-se as mãos e criavam uma superfície de resistência maior, o que desacelerava um pouco a queda. Por cuidar um do outro, perduravam por alguns segundos a mais, também.
Mas eis que se apresentou um ser humano que foi posto à queda pelo próprio Criador, saído de Sua presença, inclusive. O Enviado do Criador. Trouxe novamente esperança, uma segunda mensagem do Criador, poderosa, visível em seus olhos. E como não podia deixar de ser, os outros humanos o pressionaram para trazê-lo mais rapidamente ao fundamento. E com isso sofreu. E alcançou o fundamento em plena velocidade.
Permaneceu três dias em meio à poeira que se levantou com sua queda. Achou-se dele que era morto. Mas no terceiro dia não precisou ser colhido pela mão do Criador, pois ele mesmo movia esta mão. Se levantou e voltou ao ar para anunciar as boas novas e provar a autenticidade das boas novas que havia trazido antes de seu choque. Aí, então, foi colhido de volta para a presença do Criador.
Mas o que foi dado aos profetas ver, de antemão e o que o Enviado do Criador provou continua a valer. A esperança de poder ser novamente imortal, livre e não mais limitado ao tempo que levará para atingir o fundamento. O sangue que o Enviado de Deus perdeu em seu choque é o que livra o ser humano da fatalidade quando se choca com o solo. E este, envolto nessa salvação, então, não deixa de existir, mas começa a viver uma nova vida, agora sem final, determinado a nunca mais sair da presença do Criador.
Glória ao Criador por isso.
Subscribe to:
Post Comments (Atom)


0 comments:
Post a Comment